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  Preste atenção, o mundo é um moinho Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho… Não tenho exatamente vergonha. Não sei explicar como me sinto, mas não passa pela vergonha. Dói... ao mesmo tempo, não sinto nada. Preste atenção, querida... de cada amor tu herdarás só o cinismo... Transtornada. Não parece, mas estou. Dilacerada por dentro. Os olhos dele... Que medo! Por qual motivo ele estava com tanto ódio de mim? Quase desmaiei. Fechei os olhos e por breves milissegundos me senti desligando. Experiência horrível, não recomendo. Risos nervosos. Eu devia ter entendido aquelas frases como as red flags que elas eram, mas fui incapaz. Você não devia dançar com ela soava como uma crítica normal. Eu ia me encolhendo e dançando conforme a música. Pisando em ovos. Em casa, pisava sempre em ponta – silenciosa, leve, imperceptível. Assim, tentava não irritá-lo. Às vezes, não dava. Ele era grosso – sempre com voz baixa, dizia coisas motivacionais como burra, você não acha que engordou, ela da...

intermezzo

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põe Stairway to Heaven no som e aprecie ou Kashmir com Hossam Ramzy e London Orchestra

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                           Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte. Surgiram alguns cabelos brancos e eu ainda não decidi o que fazer quanto a eles e à sua multiplicação. Por enquanto, parecem luzes e me desagrada a ideia de pintar e a obrigação que isso representa. Há pouco tempo, também me desagradava a ideia de fazer botox e aqui estamos, duas botocadas e mais de um ano depois. Risos. Então não digo nada. Pode ser que amanhã eu fique ruiva. Estou velha e finalmente entendi que não gosto de fazer sexo sem envolvimento. Todas as vezes que tentei me envolver sexualmente apenas para satisfazer os desejos da carne, me senti vazia, incompleta, ferida, inacabada. Sinceramente, acho que o envolvimento sexual entre duas pessoas envolve mais do que o óbvio: prazer!... E com homens não tenho tido nenhum tipo de satisfação. Há tempos! Ao contrário, parecem especialistas em causar desp...

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  Despertei em uma masmorra. E com amarras nas mãos . Somos criadas para isso. Crescemos ouvindo que deveríamos ser como a Cinderela, que tinha o príncipe. Claro que a Cinderela encantou o príncipe. Somos criadas para encantar, somos feitas para atrair e servir ao sexo oposto. Quanto tempo perdemos nos adaptando e nos submetendo a isso? Passados os cinquenta, oficialmente mais perto da morte e com menos tempo de vida. Reflexiva. Pensativa. Devia ter mandado mais gente tomar naquele lugar onde não bate luz. Devia ter dito mais foda-ses? Quanto tempo perdido para agradar, apesar do que me desagrada. Será que a gente entende tarde demais que somos feitas para sermos felizes, muito felizes? Felizes independente da existência de homem. Felizes apesar deles. Ser feliz não é um estado de espírito, é uma sensação real, um sentimento sentível? Passada mais da metade da vida, estou finalmente feliz, em paz? Você está? Entendi que somos bichos, com instintos. Aceitei que também sou bicho. Que...

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  Silence. Acho que o dia mais absurdo foi uma sexta à noite com desfecho diferente. Mais agressivo. Inconsentido. Inconsciente. Chovia e havíamos saído para assistir a um jogo com os amigos dele num bar. Álcool vai, álcool vem... as prorrogações acabam, o bar fecha. Era fim de noite quando passamos num daqueles drive thrus que ficam abertos na madrugada, próximos ao setor de motéis. Enquanto esperávamos o lanche, ele abriu a calça e colocou o pau duro para fora. Com a mão esquerda, mexeu um pouco ali, aquela punhetada básica enquanto a mão direita mencionava me puxar pelo pescoço em direção àquele pau duro. Não! A gente tá na fila do drive. Depois, agora não! Ele então me deu um tapa na cara. Sem muita força, mas um tapa. Fiquei sem reação. Congelei. Não consegui esboçar nenhuma reação. E claro, ele não parou... ao contrário, a força da mão direita aumentou, me puxou. Vem cá! Chupa logo! Tô te bancando a noite toda... chupa logo seu macho. Chupei. Vai, tô filmando, olha... pra t...

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  Non, je ne regrette rien . num Acústico MTV Parece surreal pensar naquele dia hoje, com o distanciamento proporcionado pelo tempo. Subi e desci as escadas tantas vezes naquele dia. Perdi a conta! Apesar de parecer uma coisa totalmente absurda… o que vou narrar vai além de qualquer fantasia. Subi e desci tantas vezes que perdi a conta. Subia, descia, me encolhia em um canto. Sobretudo, torcia para não encontrar nenhum vizinho. Como ia explicar aquela falta de trajes nas escadas? Tá tudo bem sim, apenas gosto de subir e descer escadas nua . Oi? Qual a alternativa? Me fazer de louca? Deveria falar a verdade? A gente estava transando e, de repente, ele parou de me comer porque queria um boquete. Deu um tapa na minha cara. Tapinha leve, sem muita força. Me chupa, puta ! Segurou meu cabelo, fez com que eu ajoelhasse e ficou ali, fodendo minha boca alguns minutos. Segurava meu cabelo, minha cabeça, guiando para que acontecesse no ritmo que ele queria. Puta ! Olha pra mim enquanto eu goz...

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  Matamos o tempo, o tempo nos enterra. A vítima perfeita. Eu não era. E talvez por isso nunca me enxergaram murchando, morrendo. Não aconteceu de um dia para o outro. Foi um processo. Ninguém quis enxergar. Lasciva, eu não era a vítima perfeita. As máscaras que adotamos para sobrevivermos ao desamparo nos trazem benefícios ou nos aprisionam? Bicho do mato quieto, insensível. Devoradora de homens. A máscara da mulher forte, distante, me aprisionava e impedia que os outros vissem. Impedia que eu enxergasse, agisse, acordasse.  Nos nossos últimos meses juntos, eu acordava todas as manhãs pedindo por sinais do que fazer em relação a ele e a mim mesma. Apesar das marcas, precisava de um sinal, uma ajuda divina. Por algum tempo, me perguntei se o modo como as coisas se iniciaram entre nós tinha determinado o tipo de relação que tínhamos. A gente se conheceu numa festa e transamos naquela noite, oras. Não tem nada demais nisso. Tem? A resposta estava estampada no espelho.  Olha...