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 Non, je ne regrette rien.

num Acústico MTV






Parece surreal pensar naquele dia hoje, com o distanciamento proporcionado pelo tempo. Subi e desci as escadas tantas vezes naquele dia. Perdi a conta! Apesar de parecer uma coisa totalmente absurda… o que vou narrar vai além de qualquer fantasia. Subi e desci tantas vezes que perdi a conta.


Subia, descia, me encolhia em um canto. Sobretudo, torcia para não encontrar nenhum vizinho. Como ia explicar aquela falta de trajes nas escadas? Tá tudo bem sim, apenas gosto de subir e descer escadas nua. Oi? Qual a alternativa? Me fazer de louca? Deveria falar a verdade?


A gente estava transando e, de repente, ele parou de me comer porque queria um boquete. Deu um tapa na minha cara. Tapinha leve, sem muita força. Me chupa, puta! Segurou meu cabelo, fez com que eu ajoelhasse e ficou ali, fodendo minha boca alguns minutos. Segurava meu cabelo, minha cabeça, guiando para que acontecesse no ritmo que ele queria. Puta!


Olha pra mim enquanto eu gozo, sua puta! Ele queria que eu engolisse. Eu não queria. Me chamou de puta, de novo e de novo. Vai engolir sim, puta! Vai engolir essa porra sim! Não consegui sair, me desvencilhar. Estava com o pau dele na boca, quase engasgando. Engole essa porra!


Ia fazer o quê? Morder para que ele me soltasse? Ele gozou lá dentro, lá no fundo da garganta. Desceu com aquele gosto amargo, pegajoso, um pouco cítrico. Umas duas gotas caíram no chão. Fica de quatro e lambe! Ele me fez limpar o chão. Parece inacreditável lembrar disso hoje, mas ele me fez limpar o chão. Segurou meu cabelo, levou minha cabeça até o chão, forçando com que eu abaixasse até lamber. Praticamente esfregou minha cara no chão para que eu lambesse e limpasse aquelas gotinhas de porra caídas. 


Me senti pequena, com vontade de chorar sem conseguir. Queria gritar e mandá-lo à merda, mas o grito ficou preso e não saiu. Depois que ele me soltou, apenas me levantei apressada, me sentindo estranha. Ele parecia gostar de me humilhar, não parecia? Eu acreditava que era uma coisa de fetiche, sem implicações fora do sexo. Se ele sente tesão… É homem, é assim mesmo.


Depois que lambi o chão, ele me soltou. Levantei apressada, me sentindo estranha. Fui correndo para o banheiro. Queria gargarejar, enxaguar a boca, escovar os dentes. Um listerine para tirar aquele gosto ruim, sabe. Ele foi atrás de mim. Ficou parado, me observando encostado na porta do banheiro, enquanto eu enxaguava a boca. O que foi, puta? Não gosta da minha porra? Não gosta da porra do seu macho? Vem cá! Então ele me puxou pelos cabelos até a porta. Deu um tapa na minha cara, me empurrando em direção à porta. Pensa aí no porque você não gosta da minha porra, sua puta! Abriu a porta e me empurrou para fora, nua. 


Fiquei incrédula. Não quis fazer barulho. Bati de leve na porta, apertei a campainha. Nada. Ele não abriu. Não falou nada. Eu estava ali, no hall do apartamento, nua. Sem celular, sem dinheiro. Só eu e meu corpo. Desesperada, comecei a chorar. Baixinho para não fazer barulho, não chamar atenção. Se algum vizinho aparecesse, ia dizer a verdade?


Eu não tinha relógio, então não sei quanto tempo fiquei ali no corredor. Não sei porque, subi e desci as escadas algumas vezes, morrendo de medo de que alguém aparecesse e me visse naquela situação ridícula, patética, vexatória. Talvez meu inconsciente quisesse que eu encontrasse alguém e fosse obrigada a dizer o que aconteceu. Talvez meu inconsciente quisesse que eu acordasse e fugisse enquanto era tempo. Talvez.


Perdi a conta de quantas vezes subi e desci as escadas. Por sorte ou azar, não esbarrei com nenhum vizinho. Cansada, fiquei sentada encolhida perto da porta. Bati fraquinho de novo, com esperança de que ele abrisse. Só ouvi o silêncio, a indiferença. Chorar baixinho, a esta altura, já fazia parte do que tinha se tornado aquela transa que terminou comigo jogada no hall do nosso andar. Graças a Deus é o terceiro!


Nosso prédio tinha só três andares. No último tinha menos chance estatística de alguém me ver daquele jeito. Sensação de alívio e medo ao mesmo tempo. Sentada na escada, encostada na parede. Não sabia o que fazer. Bastava não ter levantado, suportar o gosto meio amargo, dizer que adorava a porra dele. Bastava um boquete com vontade. Por que diabos demonstrei o desconforto? Por que corri para o banheiro? Homem é assim mesmo, gosta dessas coisas.


Bati de novo. A esperança é a última que morre, não é isso? Precisava entrar. Quanto tempo mais duraria a sorte de não aparecer nenhum vizinho? Ou o porteiro? Amor, me desculpe. Abre a porta, por favor! Engulo quantas vezes você quiser. Sou uma puta burra, não queria te deixar constrangido, se sentindo mal. Abre a porta, por favor! Prometo que vou ser melhor para você. Eu não queria te deixar mal…


Dessa vez ele abriu. Olhou sério para a minha cara. Você quer entrar em casa, puta? Fiz que sim com a cabeça, esbocei dizer algo. Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele deu um passo na minha direção, abriu a calça e apontou para o seu pau. Vai, me chupa de novo. Anda! Você não quer entrar em casa? Fica de joelhos e me chupa! Anda logo antes que chegue alguém.


Estávamos em frente à porta de casa. O que eu podia fazer? Engoli sem reclamar. Ele me olhou, deu um tapinha de leve na minha cara, fechou a calça. Me levantei para entrar. Ele moveu a cabeça. Não, não não… Onde você acha que vai, puta? Nessa hora, quase comecei a chorar, mas engoli o choro. Ironicamente, engolir acabaria se tornando minha especialidade. 


Desde! Desce a escada até onde consigo te enxergar e sobe de quatro até aqui. Sobe de quatro como uma cadela e aí entra em casa, puta! Morrendo de medo de que alguém aparecesse justamente naquele momento, desci. Antes, não sabia como explicar estar nua nas escadas. Como explicaria estar subindo as escadas nua, de quatro? Respira fundo, esquece o medo… e vai. Ou faz um escândalo, chama atenção do prédio inteiro, deixa todo mundo te ver humilhada e pede para chamarem a polícia e te emprestarem uma roupa. 


Respirei fundo, esqueci o medo. E subi uma leva de escadas de quatro, nua. Ele filmou - e eu não podia reclamar de estar sendo filmada fazendo aquilo, podia? Uma filmagem que depois foi compartilhada com os amigos no grupo de whatsapp. Olha o que a minha putinha faz por mim? Respirei fundo e entrei em casa.


Não foi difícil, né puta? Não sei qual foi meu olhar para ele quando ouvi isso, mas sei o que aconteceu a seguir. Não gostou, sua puta? Quer ir lá para fora de novo? Disse isso segurando meu queixo e olhando nos meus olhos, com raiva. Respirei fundo e pedi desculpas. Me desculpe, eu não queria te fazer sentir mal. Me desculpe…


Ele me soltou. 


Estou com fome. Toma um banho e vai fazer alguma coisa para mim. Anda logo. Estou com fome, esqueceu? Pegou uma dose de whisky e foi sentar no sofá da sala. Eu fui tomar banho. Homem é assim mesmo, não é isso?

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