Era um amor sem mistério, sem pecado, um amor de funcionários públicos. Naquela época, o máximo que ocorria aqui no Plano era a polícia vir com lanterna e nos dar um sermão sobre ir para um local adequado blablabla perigoso blablabla viram casal da UDF sequestrado e assassinado? Vimos. Ainda assim, continuávamos, em grupo ou em dupla, soltos por aí, fazendo o que queríamos. Quem nunca deu um tapa numa roda com violão? Risos. Quem nunca transou por aí? Agíamos como coelhos e irresponsáveis. Dirigir sob efeito de álcool e outras coisas era praxe. Não tinha app nem bafômetro. E, raramente, um de nós morria. Sortudos? Risos. Anjos da guarda porretas, os nossos. No pontão, que naquela época era em minúscula sem frescura, certa vez éramos um grupo, um violão, cigarrinhos, garrafões. Sanguê de boá ao som de Legião. Juventude que não tinha muitos tabus e proibições. Sem vida virtual. Socializando de perto. Uma fogueira no centro da roda. Noite fria da seca. Me afastei do grupo com o erro da ve...