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Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte.
Surgiram alguns cabelos brancos e eu ainda não decidi o que fazer quanto a eles e à sua multiplicação. Por enquanto, parecem luzes e me desagrada a ideia de pintar e a obrigação que isso representa. Há pouco tempo, também me desagradava a ideia de fazer botox e aqui estamos, duas botocadas e mais de um ano depois. Risos. Então não digo nada. Pode ser que amanhã eu fique ruiva.
Estou velha e finalmente entendi que não gosto de fazer sexo sem envolvimento. Todas as vezes que tentei me envolver sexualmente apenas para satisfazer os desejos da carne, me senti vazia, incompleta, ferida, inacabada. Sinceramente, acho que o envolvimento sexual entre duas pessoas envolve mais do que o óbvio: prazer!... E com homens não tenho tido nenhum tipo de satisfação. Há tempos! Ao contrário, parecem especialistas em causar desprazer. A vida de solteira é um campo de batalha para quem tem alguma esperança. Encontrar companhia decente parece um sonho distante, inalcançável, dada a qualidade do material disponível.
Acredito no antes só, do que mal acompanhada. Me chame de conservadora, mas sexo é complemento, é encaixe, é vontade de fazer o outro feliz, é desejo de abraçar bem apertado depois que tudo termina, é necessidade de proteger mesmo sabendo que aquele momento acabou, é entrega sem medo de se expor, é continuidade pós cama… Como podemos fazer todas essas coisas se não estivermos envolvidos de alguma forma com o nosso consorte? Ou estou romantizando as coisas?
É possível ter tudo isso em apenas uma noite, um encontro? Por que não? Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Risos. A gente precisa se envolver com a pessoa que estamos transando, ainda que o envolvimento dure apenas algumas horas. Trepar não é um solo… é um dueto. E um dueto é bom quando há harmonia, sintonia e conexão entre os participantes, criando uma experiência onde dois se tornam um, complementando-se, resultando em algo maior do que a soma das partes individuais.
Parece uma ideia antagônica, mas sem envolvimento, ainda que momentâneo, efêmero… não é um dueto. E, nesse caso, melhor o cinco contra um. Houve uma época na qual eu acreditava no sexo pelo sexo, apenas. Não gozava em mais de 90% dos encontrinhos casuais e, paradoxalmente, continuava insistindo no modelo falido. Me divertia sem me divertir, se é que isso é possível. Houve uma época. No presente, ultimamente estou passando por momentos de assexualidade, se é que posso nomear a ausência de libido dessa forma.
Na realidade, estou cansada de viver experiências vazias, repetitivas e cansativas. Normalmente quando vou para cama com um homem, já sei exatamente o que ele vai fazer para me excitar. Claramente, na concepção dele, masculina,do que é me excitar. Boca, boca nos seios, com sorte o cidadão saberá onde fica o clítoris e se importará com isso… Isso tudo é muito previsível e entediante. Não tenho mais vontade. Não sinto nada. Não sei se já senti algo. Talvez nunca tenha sentido. Dei porque minha função era dar. Compulsoriamente, dar.
Estava lendo o Caderno Rosa de Lori Lamby e um pensamento intrusivo me invadiu. Será que minhas crônicas serão vistas como repugnantes, nauseantes? Não sou eu, é o mundo. O mundo é, às vezes, asqueroso. Eu vi, ouvi e vivi muita coisa, mas a verdade é que não gosto de sexo com homens. Quer dizer, não sei se não gosto ou se nunca foi bom, então não sei se gostaria caso fosse bom.
Até recentemente, eu não fazia a mínima ideia de como são aqueles breves momentos de duração do orgasmo, descritos como petite mort. Desculpe, sempre peguei homens por hobby. Dessas coisas engraçadas e absurdas de se dizer. Mas é a verdade. É assim que é. O normal era pegar homens e sempre havia homens querendo me pegar. Então eu pegava homens. Por hobby. Um hobby compulsório mas, ainda assim, um hobby. Não quer dizer que eu gozasse; é porque era fácil. Sei que parece burrice (e é), mas… acontece.
Eu achava que era incapaz de gozar, até que um dia transei com um casal e a mulher, lindíssima, me tocou e me lambeu até uma corrente elétrica percorrer meu corpo inteiro por dentro, causando tremedeira e parando a respiração. Uma pequena morte, indeed. A mona, com uma língua e uns dedos, me levou aonde aqueles pintos todos da minha vida inteira nunca levaram. O casado aproveitou meu estado durante aqueles 15 segundos para introduzir o pau no meu cu. E foi assim que eu fiz anal pela primeira vez.