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 Despertei em uma masmorra.




E com amarras nas mãos. Somos criadas para isso. Crescemos ouvindo que deveríamos ser como a Cinderela, que tinha o príncipe. Claro que a Cinderela encantou o príncipe. Somos criadas para encantar, somos feitas para atrair e servir ao sexo oposto. Quanto tempo perdemos nos adaptando e nos submetendo a isso? Passados os cinquenta, oficialmente mais perto da morte e com menos tempo de vida. Reflexiva. Pensativa. Devia ter mandado mais gente tomar naquele lugar onde não bate luz.

Devia ter dito mais foda-ses? Quanto tempo perdido para agradar, apesar do que me desagrada. Será que a gente entende tarde demais que somos feitas para sermos felizes, muito felizes? Felizes independente da existência de homem. Felizes apesar deles. Ser feliz não é um estado de espírito, é uma sensação real, um sentimento sentível? Passada mais da metade da vida, estou finalmente feliz, em paz? Você está?

Entendi que somos bichos, com instintos. Aceitei que também sou bicho. Queremos um pau duro. Eu? Será que também quero um pau duro? Tantas coisas na vida e no mundo que são tão melhores do que apenas um pau. Pau serve pra quê? Me parece óbvio  que queremos deitar e rolar com um pau duro gostoso. Mas quero deitar e rolar com o dono do pau? Ou é melhor comprar um de borracha e poupar o tempo perdido? 

Vou te falar uma verdade sobre os homens. Eles gostam de se sentir desejados. Potentes. Gostosos. Eles gostam de ter suas partes desejadas, bem tratadas. Vou te falar uma verdade sobre as mulheres. Elas também gostam disso aí tudo! A gente volta a dar pra quem faz a gente se sentir assim. Quem dá atenção ao sexo, ao corpo, ao toque, ao sabor, à textura... Ah! Essa pessoa pode nos foder sempre que quiser! Risos.

Essa nossa educação machista subjuga nossos desejos inconscientemente, subestima nossa personalidade, nossa inteligência, nossos instintos. Conheço mulheres que nunca chegaram ao orgasmo! Elas são vítimas de lares machistas e psicologicamente opressores, apenas? Será que nós, pobres meninas, podemos pelo menos chegar ao orgasmo de vez em quando? A gente se julga demais e vive de menos. Deveria ter mandado mais gente tomar no cu e me importado menos com o que pensavam. Deveria ter fodido mais - em quantidade de pessoas. Sim, em quantidade, peço desculpas ao puritanismo.

Das melhores coisas da vida. Fumar um. Dar uma. Pedir uma pizza. 

Aliás, por falar em pizza, fica a observação polêmica: comida italiana só é considerada a melhor comida do mundo por causa do eurocentrismo. Olha para a gastronomia da américa do sul. Para o Brasil. Ásia. Que me desculpem os de mente colonizada a este ponto, mas não, a comida italiana não é a melhor do mundo. Risos. Tão pouco a mais diversa em cores e sabores. Soa contraditório eu dizer isso, tendo ido para a Itália estudar culinária? Risos.

Gosto de comer, desculpa. Apologies, my dear

O cara que degusta, esse vai poder degustar sempre. Bem-vindo seja aquele que sabe o que é, onde fica e como lamber e manejar um clitoris! Bendito o que entende que a pele é o maior órgão sexual do corpo humano! Infelizmente, a maioria não sabe o que esse verbo significa. Degustar. Uma vez, fui numa degustação de paus. Eu e quatro deles. Não sei como uma noite de jogos de tabuleiro terminou com eu chupando quatro paus e sendo fodida por eles. Saí da degustação assada. Risos.

A degustação foi uma armação do meu ex. Ele havia combinado com os amigos que, caso houvesse abertura, era para deixar a jogatina se transformar em bacanal e filmar. Jogávamos e tomávamos uns drinks. Depois de fumar um, fui ao banheiro. Na saída, ele começou a me beijar, beijar, beijar… e passar a mão, e passar a mão… e segurar nos lugares certos… De repente, eu estava nua, com um pau na boca, outro na buceta. Os quatro vieram. E foi bom, muito bom.

Tive a sorte, ou o azar, de cair de paraquedas para ter essa experiência sensorial com exemplares XY que sabem degustar um corpo feminino. Que sabem usar a língua. As  mãos. O membro. Que sabem onde fica o botãozinho mágico. Nunca imaginei que uma noite de jogos de tabuleiro pudesse ser tão prazerosa! O problema foi o depois… depois daquela noite, virou uma chave para nós dois. Ele cada vez menor, mais inseguro, emasculado. Me atazanava com ciúmes e tentativas de controle. Eu cada vez mais próxima de pedir a separação por motivo de liberdade.

Eu queria ser mais livre. Poder ser, já que sou. E ele, de repente, passou a ser contra a ideia de abrir um pouco o relacionamento. Eu desejava o desejo. Ele cortejava o conservadorismo. Ele estava desalinhando todos os meus chacras! No dia que decidi traí-lo com meu chefe charmoso cheio de borogodó, descobri que eu tinha chifres que datam do neolítico! Vivíamos uma monogamia unilateral, na qual eu era a trouxa. Meu digníssimo esposo começou a comer outras quando éramos apenas namoradinhos sem seriedade.

O monogâmico fetichista que dizia ter tesão em me dividir com outros e outras só tinha tesão se eu estivesse sem tesão? Faz sentido isso?  Assim meu príncipe virou um sapo. Assim, há 5 anos eu soube que ficaria solteira de novo. Pode até demorar, mas as máscaras sempre caem - a dele caiu depois de uma putaria que ele mesmo organizou porque tinha tesão. Tinha?

Sei lá. Só sei que eu tenho raiva de gente sonsa e dou gargalhadas nervosas quando fico sabendo que almas sebosas da sonsidão perderam a pose e se lascaram. Hum… nervosas, não. Risonhas. Altas. Histéricas. Descontroladas. Gargalhadas. Muitas gargalhadas. Gente sonsa eucentrista se dando mal. Schadenfreude, porém justificado. Sim, eucentrista, como umbiguista. Como o fulano, que não sabia o que era degustar alguém mas queria assistir à degustação.

Sei que nada disso faz sentido. Mas deveria fazer?


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