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Mostrando postagens de agosto, 2026

manuscrito

Este é o texto cru, inacabado. O rascunho. Todos os textos publicados aqui, neste blog do paleolítico, reunidos em um único arquivo. Baixe e leia o MANUSCRITO aqui .

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Era um amor sem mistério, sem pecado, um amor de funcionários públicos. Naquela época, o máximo que ocorria aqui no Plano era a polícia vir com lanterna e nos dar um sermão sobre ir para um local adequado blablabla perigoso blablabla viram casal da UDF sequestrado e assassinado? Vimos. Ainda assim, continuávamos, em grupo ou em dupla, soltos por aí, fazendo o que queríamos. Quem nunca deu um tapa numa roda com violão? Risos. Quem nunca transou por aí? Agíamos como coelhos e irresponsáveis. Dirigir sob efeito de álcool e outras coisas era praxe. Não tinha app nem bafômetro. E, raramente, um de nós morria. Sortudos? Risos. Anjos da guarda porretas, os nossos. No pontão, que naquela época era em minúscula sem frescura, certa vez éramos um grupo, um violão, cigarrinhos, garrafões. Sanguê de boá ao som de Legião. Juventude que não tinha muitos tabus e proibições. Sem vida virtual. Socializando de perto. Uma fogueira no centro da roda. Noite fria da seca. Me afastei do grupo com o erro da ve...

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  A fidelidade devia ser uma virtude facultativa. A gente se conheceu num dia lindo, ensolarado. Na praia. Comendo picolé. Um jeito despretensioso de conhecer alguém que eu lembraria para sempre. Mas foi assim, num dia ensolarado na praia. Passou um vendedor de picolé. Ele veio comprar um na mesma hora que eu estava escolhendo qual compraria. Me recomendou o de tangerina ou o de limão. Muito refrescantes ! Comprei o de tangerina, ele comprou o de limão. Sentamos juntos na areia para tomar picolé e trocar ideia. Eu provei o de limão, delicioso. Era limão com menta, aliás. Melhor que o meu de tangerina. Que papo bom o do moço de pele dourada de sol. Me ganhou na lábia. Risos. Ele estudava na Esdi. Surfava alguns dias na Prainha. Morava em Copa, mas sonhava com a Urca. Naquele dia, tinha ido encontrar alguns amigos entre os postos oito e nove. Não se importava em estar nos arredores da barbie de amoedo e ser confundido. Sangue bom. Vestia bermuda, chinelo e uma camiseta jogada em cima...

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  Ele era um animal se a música podia cativá-lo tanto? A história sexual mais kafkiana absurda delirante canhestra da qual já fui personagem talvez seja o dia em que a arritmia se manifestou pela primeira vez. A gente estava num hotel na beira do lago. Havíamos ido passar o fim de semana lá. Coelhinhos felizes na orla. Risos. Na primeira noite, pedimos serviço de quarto para o jantar. Nossos planos eram comer e comer. Jovens felizes dormindo juntos fora de casa. O que podia dar errado, não é mesmo? Esquecemos camisinha e, apesar de nos amarmos, não tínhamos nenhuma intenção de sermos pais naquele momento. Fomos ao centro atrás de uma farmácia aberta para comprar. Eventualmente, achamos e compramos. Já era tarde quando voltamos para o hotel. Éramos jovens, porém. Risos. Gosto de risos como uma pausa dramática. Aquele tipo de reação que a gente costuma chamar de riso frouxo, riso amarelo, riso nervoso ou simplesmente pausa pontuada por riso. Uma respiração, uma válvula de escape na f...

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  Há incontestavelmente gozo no nível em que começa a aparecer a dor.   Se Freud estava certo e a maioria dos sonhos dos adultos apresentam material sexual e expressões de desejos eróticos… O que ele diria de uma pessoa que não sonha, mas realiza os próprios desejos? Eu sei que não tem nada a ver. Ou talvez tenha. Mas achei chique citar Freud, que só li alguns trechos em Introdução à Sociologia (ou seria à Filosofia?). Não reprimir a pulsão sexual é pecado? Risos. Não reprimo. Fim.  Às vezes fico pensando… e se eu tivesse meus vinte e poucos anos hoje, na era dos smartphones, redes e exposições? Eu era terrível. Risos. Não interessava o sexo, gênero, whatever . Tá a fim? Tá com tesão? É todo mundo adulto? Vai nessa! Risos. É minha opinião até hoje, embora atualmente eu seja uma não praticante. Risos. Eu tive a chance de fazer minhas loucuras indocumentadas. Os jovens de hoje não têm esse bem tão precioso que é a privacidade. Uma pena. Talvez por isso estejam tão caretas, ...