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  O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.   A chegada aos enta é reveladora e brutal. Doppia década de mudanças e definições Pela primeira vez em tantos anos de relacionamento, me sinto insegura. Não sei se é porque aos enta a consciência de estar envelhecendo fisicamente chega pra ficar. Não sei se é porque há pouco tempo passei por uma cirurgia pela primeira vez. Não sei se são os hormônios em suas festinhas particulares. Mas pela primeira vez desde que começamos a nos frequentar, sinto alguma insegurança. Sou casada com um homem interessante, bonito, que vai à academia religiosamente todo dia. Ele é mais novo e isso nunca foi um problema. Mas agora, de alguma forma, é. Meu rosto no espelho, cheio de marcas. Eu não sei porque é um problema. Mas de alguma forma é. Envelhecer é um processo solitário, mesmo quando estamos juntos. Tenho a sensação de tempo acabando e gostaria de ter mais tempo pra vive...

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  Vê-se que os homens não sabem, nem podem adivinhar o que vai no coração de uma mulher. No livro das histórias de decepção ligadas a figuras masculinas, talvez o anjinho barroco seja um dos personagens mais ímpares. E não porque ele me prometeu mundos e fundos e, no final, foi só mais um inútil sem serventia nem pra sexo. Mas porque eu não imaginava que pudesse existir algo tão pequeno e que alguém pudesse morrer de forma tão idiota. Um forno e uma coifa dako. Caíram em cima do putto. E era uma vez uma estátua grega. Caiu. Quebrou. Deixou uma viúva grávida e duas crianças pequenas. Fim. A história mais surreal sobre gente conhecida que ouvi até hoje. Estava fazendo mudança e morreu vítima de um forno e uma coifa dako. Fiquei anos sem ver nem ouvir falar nele. Até que uma conhecida que eu também não via há anos apareceu contando aquela história dos eletrodomésticos dako. Sim. O menor pau do mundo morreu vítima dos dako enquanto fazia mudança. Visualizei essa cena, o negocinho, e ri...

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  Who looks outside, dreams; who looks inside, awakes. A mãe dela era linda! A mulher mais elegante dentre todas as mães de todas as minhas amigas. Hoje, entendo que é porque era a única divorciada. Risos. Em vez de gastar tempo, recursos e energia com encosto, gastava com si mesma. Ioga, academia, uma ótima dermatologista. Uma companhia fugaz de vez em quando. Risos. Ela era tudo que eu queria ser quando crescesse. Magra, bonita, realeza do serviço público. Benefícios. Porte de arma e aulas de tiro. Namorados mais novos. Férias na praia. Ela era tudo que eu queria ser. Se a palavra liberdade tivesse uma cara, seria a dela. A mãe era absolutamente irresistível. Mas havia a filha.. ah, a filha! Morena de lábios finos e olhos amendoados. Cabelo liso, castanho claro, até os ombros. As covinhas nas costas, ali naquela descida pra bunda. Magra porém forte, corpo de bailarina. Charmosa. O sorriso… o jeito de levar as mãos aos cabelos… o jeito de fechar a boca após beber um gole de qualqu...

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  A paixão ali, naquele ambiente de lodo e de sangue, era uma coisa brutal e imperiosa, que não tolerava subterfúgios nem demoras. Você não quer que eu seja honesta. Se eu for, se eu disser. Você não quer que eu seja honesta. Se for, se eu disser a verdade, o que eu penso… Se eu disser que sua boca tá igual um bico de pato-real e que esse espanador que você colocou no olho tá ridículo… Se eu disser que seu botox tá tanto que tá parecendo uma madame tussauds… Se eu disser que você emagreceu tanto que tá parecendo um cadáver… Se eu disser que você ficou horrorosa e vulgar com essa roupa… Enfim. Você não quer que eu seja honesta. Você, como todo mundo, prefere aplausos, ainda que absolutamente falsos.  É assim que a gente mantém as amizades? Os relacionamentos? As famílias? Se omitindo  de ser honesta? Sei lá. Há anos me omito, ao mesmo tempo em que me mantenho distante pra evitar em algum momento ser honesta? Risos. Sou muito fechada. Muito distante. Muito fria. Dizem. A ve...

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  O adultério parecia-lhe agora uma situação decorosa, quase um dever; dava-lhe uma importância na vida... Se ele sabe?  Me perguntaram isso. Se ele sabe. Claro que sabe. Já acumulamos mais de vinte anos de convivência. Fomos foda – aqueles friends with benefits que só se encontram se for pro benefits . Risos. Fomos só amigos por muitos anos. Fomos até colegas de trabalho dentro da mesma empresa. Estávamos amigos solteiros que saíam juntos pra galinhar quando acidentalmente terminamos a noite pelados na minha cama. Com quantos homens, mulheres, ETs ou não-binários já transei é desimportante. Mas ele sabe que não sou nenhuma messalina e que, ao mesmo tempo, estou longe de ser símbolo de comportamento virginal. Não deveria? A pessoa com quem mais falo sobre sexo e com quem mais faço sexo é ele, meu parceiro de vida. Melhor amigo. Melhor amante. Ele sabe. Sabe dessas fotos. Sabe desses textos. E, como pessoa que passou os últimos dez anos pertíssimo de mim, dividindo contas, son...

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  Age does not protect you from love. But love, to some extent, protects you from age. Aquele dia ele me algemou. Eu não pedi em nenhum momento para que ele parasse. Ajoelhada com os braços presos para trás e um pau na boca. A imagem seria esta, se eu fosse descrevê-la. De vez em quando, ele batia na minha cara (às vezes com uma das mãos, às vezes com o pau duro). Olha pra mim puta ! Com a outra mão, segurava meus cabelos e comia minha boca.  Quando cansou, me jogou na cama com a bunda virada pra cima. Colocou as duas mãos e abriu as nádegas… cuspiu ali no meio. Depois meteu até o fundo. Aquele dia ele desprezou minha buceta, foi direto ao cu. Cuspia em mim e me xingava. Puta! Depósito de porra ! Meteu com força... até gozar. Sei que parece um pornô de baixa categoria, mas era a realidade na qual eu havia me metido. Eu participava daquilo e nem sequer gozava. Terminou e me deixou jogada algemada por mais um tempo. Fumou um cigarro. Tomou uma chuveirada. Abriu uma cerveja. Um a...

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  Poor is the man whose pleasures depend on the permission of another. Durante alguns anos, fui protagonista da janela indiscreta da 7 sul. Era uma jovem sendo jovem e fazendo coisas de jovem. Graças a deus, não existem provas. Risos. Por sorte, aconteceu na pré-história, antes da disseminação das câmeras digitais, internet, essas modernidades. Eu morava num prédio cujas janelas davam de frente pras janelas do prédio do lado. O quarto do outro prédio olhava pra dentro do meu quarto, a nossa sala de tv olhava pra dentro da sala de tv do outro. Paraíso dos voyeurs. Risos. Por motivos de estupidez juvenil, eu deixava a janela aberta, deitava na minha cama, abria as pernas e siriricava. Pois é.  Eu me masturbava com a possibilidade de alguém estar se masturbando olhando eu me masturbar. O resumo do roteiro é esse. Abria a janela, colocava uma máscara, tirava a roupa, deitava na cama, abria as pernas e me tocava até me satisfazer. Às vezes, levava 5 minutos. Às vezes, levava meia h...