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Eu canto pra Deus
Proteger-te…
Se tem um homem que mereceu me comer, esse homem e aquele carioca delicioso que conheci na Borges de Medeiros. Amigo de um amigo. Conheci por um dia e uma noite, no Rio. Uma primeira noite na qual rolou apenas um beijinho e um abraço. Derreti. O abraço, sentir o cheiro dele de perto, a pele… me derreteu. Fui encharcada pro aeroporto, tchau rio, voltamos (eu, meu amigo e nossa amiga) pra nossa cidade. Confuso, mas deu pra entender que conheci um carioca delicioso na Borges de Medeiros, não aconteceu nada entre nós, voltei pra minha cidade?
Menino do rio, calor que provoca arrepio, sem dragão tatuado no braço. Aliás, não tinha nenhuma tatuagem em nenhum lugar daquela pele linda, dourada de sol. Um gostoso que me levou pra conhecer a Prainha. Um beijinho e um abraço, tchau. Eu tinha certeza que nunca mais o veria, mas no fim de semana seguinte nos encontramos na minha cidade. Ele entrou num avião e foi atrás do que ele queria: eu. Esse homem mereceu me comer. E ele mandava bem… ô como era gostoso o meu surfista!
Menino do Rio, Calor que provoca arrepio, Calção, corpo aberto no espaço, Coração, de eterno flerte, Adoro ver-te, Menino vadio, Tensão flutuante… Uh! Tenho certeza que Caetano estava pensando nele quando fez a música. Só que sem a parte de acidente e suicídio. A descrição. Do surfista carioca que me fudeu deliciosamente e nunca mais vi. E é isso. A única semi notícia que tive dele nesses anos todos é que ele estava casado com a namorada daquela época. Tem esse detalhe. Ele tinha namorada. Pelo menos, usou camisinha. E não prometeu nada além daquelas horas antes de ir pro aeroporto.
Eu era jovem e burra. Não entendia que agir assim era machista. Não me importava em ser chifre de ninguém. Ele era comprometido, não eu. Nossas únicas horas juntos começaram no sofá da sala e terminaram no tapete. Imagina se naquele dia o nosso amigo chegasse mais cedo do trabalho? Risos. Diante daquele sorriso e daquela pele dourada de sol, não pensei em nada, só fiz. Aquelas luzes naturais no cabelo, de quem passa muito tempo salgado sob o sol. Um tetéio. Clichê.
Fiz. Quem não faria?
Sim, até você que está me julgando faria.