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 I think the prime reason for existence, for living in this world, is discovery.




Aos 24 eu achava que morreria de câncer de pulmão. Já fumava há quase uma década! Talvez overdose. Experimentava de tudo, em todas as quantidades, em todas as oportunidades. Ou acidente de carro – não tão glamouroso quanto um Porsche, porém. Bebia sempre, e não era pouco. Era uma jovem irresponsável que se achava indestrutível, como todos os jovens dourados irresponsáveis da capital que se acham indestrutíveis. A gente aprende desde cedo que pode fazer o que quiser - só que não pode, e desaprender é doloroso. Somos indestrutíveis. A cidade é nossa. Só que não é.

Alguns vão ficando pelo caminho. AIDS levou gente amiga. Trânsito. Depressão. Violência urbana. Câncer. Muita coisa levou muita gente pelo caminho. Deixamos nossa indestrutibilidade pra trás quando acontece do nosso lado? Jovens dourados espancam e queimam pessoas sem maiores consequências. Estupram, também. Sempre foi assim. Sempre será. E, enquanto não admitirmos que a impunidade os trata como semideuses que tudo podem, continuará sendo.


Aos 30, eu já tinha apanhado bastante. A vida bate em quem se dá mais valor do que tem. Tu é só uma garota que nasceu na geografia certa com o look certo! Se liga! Pensando em retrocesso… não fosse a geografia e o anjo da guarda fazendo hora extra, eu deveria mesmo ter morrido aos 24, como James Dean. Ou até antes. Só uma garota que chegou aos 30 tendo se metido em cada… Deixa pra lá. Digressões de quem está entediada pensando na própria sorte enquanto rola o feed daquela rede.


Já reparou quanto tempo da nossa vida perdemos rolando o feed? Horas e horas e mais horas. Dias de nossas vidas, desperdiçados. Pois é, chegou o dia que rolar o feed entediada enquanto esperava o über jogou uma das minhas contradições na minha cara. Uma foto dele, como se fosse um tapa na cara. Pá! Uma foto dele, de farda. Me subiu um frio na espinha ao olhar aquilo e imaginá-lo com uma arma… Eu tive até uma taquicardiazinha. Uma mudança na respiração.


Ô redinha social piadista, por que cazzo você está jogando na minha cara uma foto do falecido de farda? Não é possível uma merda dessa… Era. Claro que eu cliquei na foto. Claro que eu fui ver o perfil. Eu não imaginava que ele havia sido aprovado em algum concurso… Foi. E estava ali, lindo de farda, me olhando na cara. Um cara machista, violento, grosso. Uma delícia de farda me olhando.


Minha contradição me olhando na cara. Só de imaginar aquele… desgraçado puxando meu cabelo enquanto. Deixa pra lá. Eu detesto violência. Não suporto homem grosso, daqueles que cospem na rua e tratam mal o garçom. Ele era isso tudo. E, ainda assim, saímos durante quase 1 ano. Faz quase 10 anos que eu não via sequer uma foto dele. Fazia, até que rolar o feed me deu um tapa na cara.


No nosso terceiro encontro, fomos ao cinema. Última sessão. Uma desculpa pra alongar a noite. Sabe como é. Compramos uma garrafa de vinho e fomos pra uma quebrada na beira do lago. O lugar era seguro, pensei. A única entrada passava na frente de um portão com seguranças. Qualquer movimento diferente seria visto.


Bebíamos o vinho ao som de Arctic Monkeys e conversávamos sobre amenidades. O que achou do filme? Ah, do filme não sei, mas sua mão na minha coxa subindo quase… achei ousada. Hahahaha. Rimos. Acendemos um baseado. Ele deu uma ou outra bola. Eu fumei quase tudo. 


Como esperado num filme no qual o casal sai com a intenção de se comer, a pegação começou a ficar mais séria. Os beijos, a pegada na nuca enquanto beijava meu pescoço… Eu ia perdendo o ar… e permitindo tudo, enquanto ficava encharcada. 


Devagar ele abaixou uma alça do vestido, depois a outra. Pegava e beijava meus seios de um jeito que… Foda-se se aqueles seguranças ali daquele portão estiverem assistindo ao pornô gratuito. A mão foi ali pra baixo e, de repente, ele me virou de costas… continuou com a mão ali embaixo, me deu uma leve empurradinha, me curvando em cima do carro.


Segurando na minha cintura com uma mão, ele abaixou minha calcinha com a outra. Minha respiração ficou ofegante enquanto senti o pau dele, duro, se esfregando em mim. Põe a camisinha, por favor! Calma, eu tô só brincando um pouquinho, não vou fazer nada. A cena era eu com os seios e a bunda de fora, em cima do capô, enquanto um cara com o pau duro se esfregava em mim.


Senti o dedo dele mexendo no meu clitóris, depois entrando só um pouquinho na minha buceta. Ah, que buceta molhadinha gostosa! Ele disse isso e enfiou o pau de uma só vez até o fundo. Não faz isso, por favor… Fez. Até o fundo uma, duas, três vezes. Não ofereci resistência: eu estava molhada e não esperava que fosse ser assim. Toma sua gostosa! Estocadas com força. Ele estava me segurando curvada com a barriga em cima do carro de uma forma que eu não conseguiria sair nem se eu quisesse.


E eu quis? A verdade é que eu não sei se eu queria que ele parasse. Fiquei ali naquela posição ridícula e apenas deixei que ele fizesse o que queria. Devia ter feito o quê? Seminua com um pau dentro de mim a noite num lugar deserto na beira do lago. Devia ter tentado brigar com um cara mais forte do que eu, que estava dentro de mim e me segurando? Devia ter gritado pros seguranças talvez ouvirem? Apenas deixei que ele terminasse e gozasse.


Depois terminamos o vinho e ele me deixou em casa. Ele nunca mais usou camisinha depois dessa noite. E eu não consigo entender, até hoje, porque continuei saindo com ele. Me questiono sobre tantas coisas. Será que eu fui estuprada, se gostei? Será que gostei, se fico molhada hoje, ao lembrar daquela noite? É possível que o deixasse fazer tudo de novo, se saíssemos hoje? O que ele seria capaz de fazer com uma arma na mão?


Eu não sei bem se o frio na espinha ao vê-lo assim é medo. Detesto violência. Não suporto homem grosso, desses que cospem na rua e tratam mal quem está servindo. Ele era isso tudo e tinha vocabulário limitado. E, ainda assim, saímos durante quase 1 ano. Faz quase 10 anos que eu não via sequer uma foto dele. E estou aqui com tesão? Ah, vá se f.


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