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Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade…
Detesto sexo.
Detesto? Não sei ao certo. De verdade, não sei. Só recentemente aprendi a siriricar de uma forma livre e gostosa. Só gozei acompanhada após os 30. Beeem após os 30! Isso diz o quê sobre minha vida sexual? Os outros gozarem e eu não diz o quê sobre meu papel nesse palco? A palhaça nesse circo somos nozes? Risos nervosos.
Detestar atos sexuais com machos da espécie humana em certa medida tem, sim, a ver com a falta gozo. Entretanto, talvez também tenha bastante a ver com eu detestar meu corpo. Ou ter detestado. Já não tenho certeza. Quase não falo sobre esse assunto com ninguém, nem comigo mesma. Fato é que quando a gente está à vontade com o próprio corpo, a gente também fica mais à vontade com outros corpos (não vou elaborar, not now).
Olho pra essa volta do padrão anoréxico como belo, almejado… Os looks esqueléticos… Linda! Diva! Não te dá ânsias? Sim, você que adolesceu durante os noventa e teve o início dos vinte nos zero zero. Essa febre de canetinhas emagrecedoras que deixa as pessoas cabeçudas e parecendo cadáveres não te dá ânsias? É uma benção ter vivido infância, adolescência e início da idade adulta antes do smartphone e das redes sociais. mesmo assim, quem nunca?
Eu já tomei laxante. Laxante! Pra emagrecer. Desinchar. Poder usar aquela calça cintura baixíssima sem ficar ridícula. Eu tinha corpo de Ariel e me via como Úrsula! Bolsas de estágios viraram injeções de enzimas pra gordura localizada que só eu via. Eu tinha a mesma altura, mas pesava quase dez quilos a menos do que hoje, nessa fofice pós corona e pós quarenta. Porém, estou confortável, tranquila. Aquela menina insegura que deixava de jantar (e fumava pra não ter fome!) ficou lá no passado.
Ficou? Sinto incômodo quando vejo uma pessoa muito pesada. Gente muito grande por um lado me dá uma sensação ruim e, por outro, me motiva a ir pra academia e a comer menos. Gatilhos? Preconceitos internalizados? A eu de hoje se incomoda com a volta desse padrão. Heroin chic. Uma coisa cadavérica não natural. Por que nos querem fracas? Entorpecidas fazendo dieta, parando de comer? É um luxo estar confortável na própria pele.
Me sinto privilegiada! Finalmente confortável na minha própria pele, embora ainda precise trabalhar meus incômodos internos. Não detesto o sexo, assim, nua e cruamente. Detesto a maioria dos machos tendo relações heterossexuais que fizeram com que eu me sentisse o que eu era pra eles: um depósito. E aprendi que ter um relacionamento com uma pessoa que nos deixa confortável na própria pele… isso, sim, faz o sexo sublimar. A gente se entrega quando está confortável.
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