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 What have I eaten? Lies and smiles.







A verdade inconveniente é que eu não quero ser casada. Não quero mais. Chega! Cansei de brincar de casinha. Risos. Juro! Se eu me separar, nunca mais quero nenhum homem morando dentro da minha casa. Não dá! É insalubre. Xô! Se eu me separar, serei a velha dos gatos. Troco o peso do omi pelo peso em gatos - serei eu e mais ou menos 18 gatos.


Eu tinha certeza que vocês eram felizes!... Meu deus! Mas somos. Porém, contudo, entretanto, todavia… após esses anos todos de casamento… Até o tesão fica comprometido. Até o tesão! Continuarmos namorando, cada um na sua casa, seria mais feliz. Não sei se para ambos, mas para mim certamente. Pelos no sabonete, na pia, na banheira. Roupas jogadas. Perguntas que não deveriam ser perguntadas. Onde está…(qualquer coisa)? Sei lá, enfia a coisa no rabo! Risos.


Tem dia que, sinceramente, a minha vontade é matar o cidadão. Oops! Desculpa. Já percebeu que quanto mais a gente bebe, mais a gente desabafa? Risos. O álcool entra e a verdade sai. In vino veritas. Eu gosto de tudo limpo, organizado… e ele é incapaz de guardar as roupas no armário. Incapaz de cozinhar. Incapaz de fazer qualquer tarefa doméstica sem precisar de incentivo, palmas, reconhecimento. Cansa. Amor, viu que eu levei o lixo? Amor, arrumei a cama. Não fez mais do que a obrigação, mas precisa de bajulação. Reforço positivo?


Cansa. Chegamos naquele ponto temporal em que está um casamento morno, chato. A sobrecarga tira a vontade. E aquela barriga (dele) que continua se desenvolvendo não ajuda no desejo. Desânimo. Ele era lindo, atlético! Nem parece que eu e meu esposo já fizemos muita putaria. Será que é porque temos cara de santinhos? Sérios? Normais? Mornos? Sem graça? Sei lá. Sem sal e sem tempero onde já colocamos tanta pimenta… já houve até dia com duas chupando ele. Uma nas bolas e uma engolindo o gozo.


Essa lenda urbana começou porque eu deitei no colo dele, que estava de pau duro. Em vez de ignorar, olhei bem para a cara dele e fui abrir a calça. O zíper. A boca naquilo. Aquilo na boca. Quando a dona da casa voltou da cozinha (ela tinha ido buscar um vinho), a cena era essa. Tínhamos uma longa história de fins de noite não tradicionais, eu e ela. E ela naturalmente veio participar. Madrugada de um sábado qualquer. Jovens saudáveis ou putanhescos? O casal comportado, maçante, árido de hoje gostava de muita coisa, de frequentar casas e festas alternativas. Éramos um terremoto.


Se esses jovens puritanos de hoje, nos seus vinte e poucos anos como minha sobrinha, soubessem da minha vida pregressa, será que infartariam? Risos. É normal que a juventude seja mais conservadora? Por que tão puritanos? Nem parecem ser jovens. Parecem mais velhos do que eu, que estou uma senhora chata e careta. Por que tão puritanos? Até os progressistas são crentes. Bebem menos. Usam menos drogas. Fazem menos sexo. Dizem. Enquanto aumentam as ISTs em pessoas de 15 a 29 anos. Não superamos a diferenciação entre cérebro masculino e cérebro feminino?


Desviei do assunto por quê? Ah, às vezes me sinto velha. Caquética. Mumificada. Na minha época, jovens eram os porras loucas, os inconsequentes, os avant garde. Os que experimentavam as coisas. Sexualmente, inclusive. Em pleno dois mil e vinte e tantos, os mais novos são mais caretas do que os mais velhos? Algo de errado não está certo, como diria nosso querido Laurinho. Quando converso com meus sobrinhos em reuniões de família, a minha impressão é estar num de volta para o futuro que foi para o passado. Falar na minha época é muito cringe? Risos.


Antigamente, em tempos passados, no Paleolítico, a gente experimentava sexualmente. Sem regras. Gosto de meninos e meninas e é assim que as coisas são. Para mim era normal sair com uma mulher e no dia seguinte ficar com um homem. Ir numa festa e beijar várias pessoas diferentes. Meu esposo sabe, nos conhecemos numa festa sex positive. Desde então, sempre nos divertimos muito juntos. Até que… até que algo aconteceu. Não sei como, nem porquê, nos tornamos esse casal morno, distante um do outro. Se eu pudesse, voltaria à namorar. 


Uma verdade inconveniente de dizer a si mesma. Não quero estar casada. O cansaço está nas pequenas coisas. Nas grandes. E nas mundanas. Ele era um homem lindo, atlético, cheio de energia. Eu tinha tesão em vê-lo, em observá-lo. Já o assisti fodendo o cu da mulher de um amigo nosso. Imagine eu sentada, um copo de negroni, assistindo. Me masturbando enquanto assisto. Era bonito assistir aquele corpo em ação. Aquelas costas. Aquela bunda durinha perfeita. Os braços fortes. Num piscar de olhos que durou quase quinze anos, ele ganhou uma barriga expressivamente onipresente e encaretamos como dois jovens? Risos nervosos.


De uma forma bem inusitada, olho para ele e não sinto. Nada. Nem aqueles olhos castanhos com longos cílios ruivos me comove mais - e eu costumava mergulhar e me perder neles, enfeitiçada. Não é que eu não goste mais dele. É que estou cansada. Sinto falta daquele cara que topava qualquer coisa, cheio de energia e bom humor. Azedou. Tal qual um vinho datado mal acondicionado, azedou. Avinagrou. Na idade da pedra lascada, tínhamos química, tínhamos desejo. Agora, não há nem faíscas de raiva. É só aquela coisa vazia, a indiferença. 


No presente, não existe nem papai e mamãe clássico entediante e bem normalzinho. Nem uma comidinha de quatro sem tapas na bunda. A barriga cresce à medida que a libido diminui, ou é o contrário? Sem libido e com tudo o que significa ser homem… essa leveza na vida ao custo do peso na gente. Acho que, talvez, no fim das contas, a chata sou eu. Chata, ranzinza, rabugenta e ficando barrigudinha. A suja falando do mal lavado. Porém, ainda com vontade e com saudade de uma boa putaria.


Aberta a abordagens de outros.


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