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    He that is proud eats up himself: pride is his own glass, his own trumpet,

his own chronicle.







É agora que eu devo confessar que também já fui muito canalha? Bom, canalha não. No máximo, canalhinha. Uma menina cretina que uma puta velha enxerga de longe, mas que um macho embebido pela própria imagem é incapaz de reconhecer. 


Eu escrevi uma carta, do próprio punho, pra ele. Me dizendo apaixonada. Risos. Gargalhadas. Péra aí que engasguei. Eu não estava. Era impossível se apaixonar por aquele ogro. Ele apenas era um gostoso que fulfilled algumas de minhas fantasias. Eu não estava apaixonada, mas sabia, entretanto, que o ego dele era enorme. Tão grande que Narciso cairia. 


Caiu. E logo estávamos fudendo de novo. Dizer o quê? Estávamos. No meio da rua. No dia seguinte, eu iria jantar com um outro qualquer mais educado pra andar em público. É engraçado como ele não percebia. Eu ia na casa dele. Na rua sem gente. Um hotel ali, outro acolá. Nunca público. Nunca minha casa. Mas eu estava apaixonada sim. Risos. Não há nada mais frágil e previsível do que a masculinidade. O ego.


Eu sabia que ele não resistiria. Quando ele me viu com outro, ficou emputecido e disse nunca mais… Escrevi uma carta do próprio punho, me dizendo apaixonada e pedindo pra nos encontrarmos e falarmos ao vivo. Previsivelmente, não resistiu e aceitou. Fui encontrá-lo vestida de forma bem simples, casual. Roupa de menina que só quer conversar mesmo. Calça jeans, regata, tênis, uma camisa aberta por cima. Eu sabia o que eu devia performar?


O primeiro princípio é que você não deve se enganar – e você é a pessoa mais fácil de enganar. Eu não me enganava. Ele… Bom, eu justifiquei usando a cara de pau que eles mesmos usam. Falei bem séria e, ao mesmo tempo, com ar envergonhado, olhando nos olhos dele. Fiz merda porque estava com medo, percebi que me apaixonei e tive medo que você percebesse que é muita areia pro meu caminhãoz… Antes que eu acabasse a frase, ele me puxou, agarrou e beijou. 


Terminamos aquela conversa transando na sauna ali da cobertura. Ele me colocou de costas, abaixou minha calça jeans e enfiou aquele pau gostoso em mim até o fundo. Juro! Era um ogro a ser apreciado em sigilo, mas tinha um negócio tão bonito que ia e vinha tão… de repente, trocou de buraco. Puxou meu cabelo pra trás, segurando perto da nuca. Vou gozar nesse seu cuzinho gostoso, sua puta!


Gozou. Depois me colocou sentada e enfiou o pau na minha boca. Limpa, puta! Enquanto eu lambia e engolia, ele ficava cada vez mais duro. Eu não sei como, exatamente, ele fazia aquilo. De onde vinha tanta energia. Gozou de novo, dessa vez na minha boca. Lavamos nossas partes. Risos. Terminamos o vinho. Fui embora. Fantasias à parte, aquela foi a última vez que o vi. 


Sim, desapareci depois daquela noite. Nunca mais o procurei nem o atendi. Alguns fãs de estrangeirismos chamariam de ghosting - eu chamo de dar um perdido. Cansei. O bloqueei após receber mensagem dando chilique e me chamando de puta na rede social. Mimimi demais pra um macho que se diz alfa. Além disso, o chilique de hoje é o feminicídio de amanhã. Just saying.


Provei pra mim mesma que quem mandava era eu e sumi. A verdade é que eu tinha cada vez mais preguiça de pessoas como ele, rasas, ogras, desinteressantes. Depois dessa última foda, minha libido desligou qualquer sensor relacionado a ele. Era como se não houvesse mais nada, só uma profunda preguiça. Você consegue transar com quem te dá preguiça? Eu não, sorry.


Sentia falta de gente rara, louca naquele sentido da ousadia. De autenticidade. Gente avant-garde estava em extinção. Não é que eu fosse inteligente nem prafrentex. Eles é que eram rasos, limitados. Umbiguistas, tragicamente. Mas eu gostava, me divertia. Me excitava. O problema é que eu não consigo confiar em homens, você consegue? Outro dia li a seguinte notícia: mulheres grávidas tiveram seus fetos arrancados do ventre e depois pisoteados... O ser humano é uma besta desembestada?... (tô num brain fog e não estou conseguindo achar palavras melhores, sorry) …e ainda dizem que é preciso ser otimista, que só os otimistas constroem…


Desculpa mais essa digressão. Acontece isso quando fumo. Quando bebo. Como. Existo. Deve ser TDAH. Chega uma hora que a gente cansa desse eterno engana-te a ti mesmo, aja como se tudo não fosse como é. Estou deveras velha pra fingir ser quem não sou. Eu queria que você soubesse? Não sei. Mas enviei uma lista de emails. Só uma introdução, apresentando meu livro e um link pra página onde as histórias estariam sendo publicadas. Pode ser que você se reconheça em alguma dessas histórias. Pode ser que não. Possibilidades. Parece sempre mentira, exagero. Talvez você se reconheça, e isso não é necessariamente bom.


Por que eu disse isso tudo? Já me perdi. Você sabe? Ah, a preguiça… Um brinde à preguiça!


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