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  Poor is the man whose pleasures depend on the permission of another. Durante alguns anos, fui protagonista da janela indiscreta da 7 sul. Era uma jovem sendo jovem e fazendo coisas de jovem. Graças a deus, não existem provas. Risos. Por sorte, aconteceu na pré-história, antes da disseminação das câmeras digitais, internet, essas modernidades. Eu morava num prédio cujas janelas davam de frente pras janelas do prédio do lado. O quarto do outro prédio olhava pra dentro do meu quarto, a nossa sala de tv olhava pra dentro da sala de tv do outro. Paraíso dos voyeurs. Risos. Por motivos de estupidez juvenil, eu deixava a janela aberta, deitava na minha cama, abria as pernas e siriricava. Pois é.  Eu me masturbava com a possibilidade de alguém estar se masturbando olhando eu me masturbar. O resumo do roteiro é esse. Abria a janela, colocava uma máscara, tirava a roupa, deitava na cama, abria as pernas e me tocava até me satisfazer. Às vezes, levava 5 minutos. Às vezes, levava meia h...

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  Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer .   Aquele dia a gente bebeu uma garrafa de vinho, comeu uma pizza, fumou um baseado, tomou uma ou duas ou três doses de whisky. Risos. E entortou a mesa de sinuca. É. A gente entortou a mesa de sinuca fazendo sexo. Uma mesa profissional. Na varanda de uma bela casa no Lago. E a gente simplesmente entortou a mesa. Risos. Como? Coisas que acontecem nos bastidores de trabalho, entre chefe e subordinada quando há tesão e história mal resolvida envolvidos. Estávamos há alguns anos sem chegar perto um do outro como homem e mulher. Longos e nada tenebrosos anos. Mais de duas décadas, talvez? Ele foi meu primeiro, o cara com quem eu perdi a virgindade. O primeiro aquilo naquela.  No dia seguinte à uma foda foda, na qual gozei sendo chupada, o encontrei no bar. Ele estava numa mesa de amigos, com outra. Isso mesmo. Ele estava no bar, numa mesa de gente que também me conhecia, de mãos dadas beijando outra...

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  Em certa idade é tão natural o devaneio como a travessura. Sexo verbal não faz meu estilo, palavras são erros e os erros são meus... Não quero lembrar. Que eu erro. E errei feio. Humana, erro. E não sei se me perdoo pelo erro. No apê da vizinha? Perder a virgindade desse jeito, numa festinha no apê da vizinha? Alvorada voraz né. Os pais viajavam, a gente dava um jeito de arrumar bebida, colocava um som, chamava os amigos e tínhamos uma festa. Adolescentes adolescendo.  Naquele dia, fumei meu primeiro cigarro de bali. Jose (Cuervo) para acompanhar. Todo mundo fumava. Todo mundo bebia. Ainda toca música lenta nas festinhas? Tocava. E ele me tocou enquanto dançávamos. Aquelas mãos que descem pela cintura, quadris, bunda. Ele me beijou e eu congelei. Era o irmão da vizinha! Retribuir ou não retribuir? Burra e inocentemente, deixei acontecer. Retribuí e acabei no quarto. Genial. Pelada. Pernas abertas. E um pinto indo e vindo. Não, pera! Esta é uma outra vez. Nesta, entrei em des...

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  Eu sou mais forte do que eu. Eu queria escrever um manual de sexo. Pensei em mil e uma formas e formatos de fazer isso. Dos que já vi ao vivo aos que só vi em filmes pornôs. Como ter uma foda foda? Tem manual pra isso?   Qualquer busca rápida no Google com a expressão " manual de sexo " acha milhões de resultados, desde manuais explicando como fazer sexo oral até manuais de sexo para judeus ultra ortodoxos ( ??!!!?! ). Achei até manual de sexo para raparigas preguiçosas. Risos. Pessoalmente, só me dou ao trabalho de ler estas coisas por curiosidade.  Quem escreve? Quem acredita? Sexo não tem manual, fim. Cada pessoa gosta de uma coisa diferente e reage de forma diferente a estímulos iguais. A mesma pessoa pode, inclusive, gostar de coisas diferentes dependendo de quem seja(m) a(s) outra(s) pessoas envolvidas na transa. Como escrever um manual de sexo se cada transa, com cada pessoa, é diferente? Se cada transa, com a mesma pessoa, é diferente? Regras? Só deveria ha...

intervalo

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 Passava horas me observando dormir. Isso era bom?

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  A platéia só é respeitosa quando não está entendendo nada.   De repente, eu era uma desconhecida pra mim mesma. Os anos de mudança começaram há pouco tempo. Eu não sei exatamente quando. E, da mesma forma que não consegui chegar aos 50 sem botox, não foi possível festejar cinco décadas sem hormônios. Pois é, a primeira novidade é que fiz botox. Não foram as férias na praia que me rejuvenesceram, como julgam algumas colegas de trabalho. Foi o botox. O estimulador de colágeno. E o laser. Não consegui chegar aos 50 sem intervenções. Que hipócrita, né? Fala em aceitação, e taí fazendo botox e estimulando colágeno, gastando dinheiro com creminhos e máscaras faciais. Sim, aceite-se. Antes de continuar, uma dica às mais jovens: ninguém precisa de intervenções aos 25, aos 30. Ninguém precisa ficar com cara donatellizada . No meu caso, a testa (especificamente entre os olhos) estava franzindo demais e me incomodando. Tô me aceitando melhor sem a testa tão franzida. O botox me ajudou ...

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…nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo.   Acho que só me toquei dessa verdade brutal perto dos trinta. Esses silêncios todos. Cúmplices.  Se eu pudesse voltar no tempo, não teria ido àquele encontro. Assim como tantas mulheres da minha geração, eu sofri tantas violências ao longo da vida, sem reconhecê-las enquanto violências, que perdi as contas! Não falávamos sobre as coisas e nossas mães, em geral, também não. Não entendemos, ainda, que pode ser qualquer um. Amigo, tio, irmão, pai, avô, pastor. Qualquer um. Criança, adolescente, adulta, idosa. Rica, pobre. De todas as cores. Qualquer uma. Eu era uma ignorante quando comecei minha vida sexual. A única coisa que eu sabia é que precisava usar camisinha, e isso devido a Cazuza, Freddie Mercury e Renato Russo, não à escola ou à família. Me puseram pra assistir Cristiane F. na escola - supostamente, nos manteria com medo e, assim, afastados das drogas? Nã...