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Mostrando postagens de novembro, 2025

entreato

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  Eu não sei quando foi que eu descobri que me tocar podia ser bom. Você sabe? Que música você colocaria no som? (ao se tocar) Preferiria o silêncio? Cat People, David Bowie

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  The only way to get rid of a temptation is to yield to it. Eu não sei em que momento da vida passei a ter tesão em mulheres. A achar mulheres bonitas. O corpo feminino é muito bonito, já parou pra olhar com atenção? Eu amo a curvinha do pescoço, aquela que passa pelo trapézio e a clavícula, com cabelo caindo por cima… amo as covinhas nas costas, o quadril, os pulsos mais finos, os seios, os lábios mais delicados (aqui, favor não incluir as bocas de salsicha). Na adolescência reparei que pra algumas mulheres eu olhava achando-as bonitas e querendo ter um corpo daqueles, ou um cabelo, ou uma pele. Uma invejinha boa, sabe? Dessas que me faziam me movimentar e fazer alguma atividade física, me alimentar melhor, cuidar do cabelo. Êtecetera e coisa e tal. O corpo responde bem quando a gente trata ele bem. Elas me inspiravam. Eu ficava mais bonita por achá-las bonitas, e isso me fazia bem. Já pra outras, eu olhava com desejo, lascívia. Eu não sei bem o que elas tinham, que feitiço ou je...

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  ...e o que foi a vida? uma aventura obscena, de tão lúcida. Parece algo distópico e talvez seja. Estereotipado, eu sei. Fui expulsa de um coletivo feminista após minha participação numa roda de conversa sobre sexo. Sim. É exatamente isso. Dizer que gosto de ser dominada (ou melhor, de me sentir dominada em determinadas ocasiões… risos). Dizer isso foi demais pra elas. Sim, tenho tesão em ser puxada pela cintura de quatro, de ser segurada pela nuca, de ser chamada de goxxxtosa enquanto o cara mete ritmadamente em mim, olhando pro meu rabo. Fico molhada. Encharcada. Falei isso numa roda de conversa onde falávamos sobre sexo. O quanto é heterossexualidade compulsória, o quanto é instinto, gosto pessoal. O quanto o gosto pessoal é condicionado culturalmente e as escolhas idem. Blablabla. Problematizações em ambiente descontraído. Liberdade de expressão. Espaço de acolhimento no qual aprendi, sobretudo, que não posso falar que fico molhada com certas práticas e submissões. Não posso t...

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    You will always be fond of me. I represent to you all the sins you never had the courage to commit. Lembra que eu dançava semanalmente naquele restaurante que a gente gostava tanto? Lembra que rolavam rumores de que eu não era somente bailarina? Eu fui. Treinei muito. Fiz muitos cursos e workshops. Danço até hoje, embora não seja minha profissão principal. Eu dançava. A sério. Mas um dia fiz (aquilo) em troca de vinte mil. Sim, vinte mil. Era isso o que eu valia? Semanalmente, eu dançava lá, lembra? Um dia, após um show, fui apresentada a alguém que alguns dias depois me fez uma proposta indecente. Talvez você lembre da Demi Moore e tenha certeza que estou mentindo. A proposta não era 1 milhão de dólares. Eram só vinte mil. Reais. Mais possível do que se pensa na realidade da capital. Pensando em retrospectiva...

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     He that is proud eats up himself: pride is his own glass, his own trumpet, his own chronicle. É agora que eu devo confessar que também já fui muito canalha? Bom, canalha não. No máximo, canalhinha. Uma menina cretina que uma puta velha enxerga de longe, mas que um macho embebido pela própria imagem é incapaz de reconhecer.  Eu escrevi uma carta, do próprio punho, pra ele. Me dizendo apaixonada. Risos. Gargalhadas. Péra aí que engasguei. Eu não estava. Era impossível se apaixonar por aquele ogro. Ele apenas era um gostoso que fulfilled algumas de minhas fantasias. Eu não estava apaixonada, mas sabia, entretanto, que o ego dele era enorme. Tão grande que Narciso cairia.  Caiu. E logo estávamos fudendo de novo. Dizer o quê? Estávamos. No meio da rua. No dia seguinte, eu iria jantar com um outro qualquer mais educado pra andar em público. É engraçado como ele não percebia. Eu ia na casa dele. Na rua sem gente. Um hote...